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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Living in reverse

Que vida é essa? Parece que fui sugada por um redemoinho e agora tenho que go with the flow. Já se sentiu assim?... Como se o mundo estivesse girando ao contrário e você tivesse que girar junto? Mas está errado! Ninguém vê que tá TUDO ERRADO?

Estou vivendo num clipe nonsense de uma banda de indie rock. Tudo rolando em preto e branco, câmera lenta e in reverse. Tudo em negativo, ao contrário, como se eu morasse em Opositeville.

Minhas palavras se foram no redemoinho. Os giros reversos do mundo levaram meus amores, meus compromissos e só ficaram meus instintos. E as músicas alternativas, rocks levemente monótonos - mas ainda assim legais -, que me fazem go on living. In reverse.

Há algo de inquietante e, ao mesmo tempo, muito familiar nessa situação. É confortável ser levado pelo ritmo da vida, mesmo que ele seja diferente do que você estava acostumado. Lutar contra os giros do mundo - e eles são extraordinários, excêntricos e imprevisíveis - é inevitável e improdutivo. De que adianta tentar? Se você se deixar levar, você pode parar exatamente onde queria esse tempo todo. Ou num lugar ainda melhor. Ou, no mínimo, olhando para trás e vendo o quanto você cresceu, numa trajetória libertadora, digna de clipes da MTV. So let go. And live in reverse.

Sugestão de trilha:

terça-feira, 6 de julho de 2010

Conto: O outro lado do desespero

Você me vê. Aparentemente, sou uma pessoa feliz. Tenho amigos, uma família bem estruturada, dinheiro, uma carreira e sucesso. Estou sempre atarefada, seja com trabalho, com diversão ou com minhas "obrigações particulares". Sou um ombro para meus amigos, um escudo para minha família e, para mim, sou apenas eu.

Você me vê. Sempre em movimento. O que você não vê é que, se eu parar de dançar, desmorono. Toda esse revestimento de confiança, de força, esconde, na verdade, uma menina frágil, insegura, que busca apenas ser amada.

Um dia, resolvi parar de dançar. Como previa, desabei. Desabei dentro de um poço tão fundo que poderia cair eternamente em direção ao fundo.

Nesse momento, não fui ombro para ninguém. Meus dois ombros não dariam conta de consolar a mim mesma, quanto menos outros... Falhei como amiga, como filha, como ser humano. Embrenhada em minha própria dor, contemplei possibilidades inaceitáveis para qualquer outra pessoa. Pensei em me juntar às minhas amigas e seus problemas e fundar um clubinho das Suicide Sisters... Pensei em pegar o carro e minha gata e fugir para outra cidade qualquer onde eu fosse parar... Também pensei em virar assassina profissional e viver o resto da vida sem sentimentos. Nada disso adiantou.

Uma vez, um amigo muito sábio disse que, se dermos as costas para o não, nos encontraremos no caminho para o sim. E a verdade é que dar as costas para o sentimento é dar as costas para a vida.

Viemos a este mundo para sentir. E a lição que aprendi nessa minha experiência - "quase morte", me atrevo a dizer - é que a dor nos define. Foi na dor que descobri quem sou. Minhas qualidades, meus defeitos, minhas burrices. Não podemos nos proteger da dor a ponto de nunca sentirmos nada. É no auge da dor e do sofrimento - quando o coração bate tão forte que sentimos no peito - que lembro que estou viva. E só então ressurjo do poço, como a fênix das cinzas, e, mais do que a "volta por cima", dou as costas para o desespero e, quem diria, me encontro no caminho para a felicidade.