Vivo no limiar entre o silêncio e o choro,
onde tudo é pouco,
porque você não está.
Procuro formas de abafar a dor,
que é um grito louco,
porque você não está.
Já não sei mais onde vou chegar.
Não quero andar para frente,
quero rebobinar
P'ra um tempo em que o meu lugar
era ser "a gente"
e o abraçar.
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quarta-feira, 23 de junho de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
A Garota e o Geek 2 – a conversa que nunca foi tida e as aspas descobertas
Para tudo tem um limite, sabe? “Antes tarde do que nunca”, dizem todas as avós, certo? Pois o meu estoque de juízo estava perigosamente baixo. Já era hora de eu me dar conta do que faltava saber para que eu tomasse a decisão certa.
Entrei no apartamento dele, ignorei a presença de sua mãe à porta, marchei para dentro de seu quarto e arranquei o fio que ligava o computador à tomada. Seu monitor, no qual se podia ver seu joguinho estúpido rolando, se desligou imediatamente. Antes mesmo que o energúmeno conseguisse reagir e tirar seus fones de ouvido gigantescos da cabeça, gritei com toda a minha força, aos soluços, para ver se, ao contrário das outras milhares de vezes, o menino me escutava.
“ARGH, chega!!! Você escolhe! Eu posso muito bem deixar você continuar engordando, plantado nessa poltrona, imerso nos seus joguinhos, e gastar a minha vida esperando finalmente que você cresça! Posso muito bem gastar as minhas horas, a minha juventude e a minha auto-estima, que a essas alturas eu já nem sei se existe mais! Posso aprender a ser boa nos outros jogos que te interessam, já que me interessar pelo preferido não foi suficiente! Ou ler uma coleção inteira do André Vianco, para termos assunto para conversar! Eu posso muito bem, também, aprender a viver sem o seu carinho. E, provavelmente, vai ser mais fácil do que eu penso, considerando que seu carinho e nada são muito parecidos, na verdade. Mas uma coisa que eu não posso é, de jeito nenhum, ficar sem saber se isso tudo vai valer a pena. Porque só vai valer a pena se você me amar um dia. Você vai me amar um dia?? Diz se você vai me amar um dia!!”
Nesse momento, acredito que ele engoliu alguns palavrões e a vontade explosiva de quebrar alguma coisa na minha cabeça, por eu ter desligado o computador dele – sagrado, não se deve tocar no computador dele, ou qualquer periférico do mesmo. Ao tentar interpretar o silêncio dele, que só me lembrava o quanto ele havia se silenciado nos últimos meses, vi, em seu olhar, vários sentimentos: raiva pelo meu ataque de nervos; medo de minha ousadia ter estragado o computador dele; insegurança, por não saber se o computador dele tinha sido estragado ou não; e um sentimento cujo nome não sei ao certo. Um sentimento de indignação misturada a desespero. Ainda assim, não vi nada ali que mostrasse que ainda houvesse algum sentimento ligado a mim. Positivo, pelo menos, nenhum. Já tinha minha resposta. Mas, como se não fosse suficiente, ele ainda se atreveu a responder, enquanto amassava raivosamente um pedacinho de papel:
“Escuta. Eu não tô com saco. Eu não vou te amar um dia. Agora, me dá licença, que eu ‘tava no meio d’uma raid.”
Minha raiva chegou a tal ponto, que as lágrimas no meu rosto evaporaram. Percebi que aquele monstro, sentado ao computador, era uma desgraça para a “classe” de geeks around the world. Descobri que, no mínimo, eu havia engolido um par de aspas quando o classifiquei assim. Então, engoli o choro, passei a mão no Garfield de pelúcia que sentava em sua prateleira – presente meu –, e disse, já na porta de seu quarto, pronta para tirá-lo da minha vida completamente:
“Cansei. Vou comprar uma boa dose de juízo. Enquanto isso, aconselho que você pense em comprar um coração.”
(inspirada no roteiro de Claudia Ramos)
Entrei no apartamento dele, ignorei a presença de sua mãe à porta, marchei para dentro de seu quarto e arranquei o fio que ligava o computador à tomada. Seu monitor, no qual se podia ver seu joguinho estúpido rolando, se desligou imediatamente. Antes mesmo que o energúmeno conseguisse reagir e tirar seus fones de ouvido gigantescos da cabeça, gritei com toda a minha força, aos soluços, para ver se, ao contrário das outras milhares de vezes, o menino me escutava.
“ARGH, chega!!! Você escolhe! Eu posso muito bem deixar você continuar engordando, plantado nessa poltrona, imerso nos seus joguinhos, e gastar a minha vida esperando finalmente que você cresça! Posso muito bem gastar as minhas horas, a minha juventude e a minha auto-estima, que a essas alturas eu já nem sei se existe mais! Posso aprender a ser boa nos outros jogos que te interessam, já que me interessar pelo preferido não foi suficiente! Ou ler uma coleção inteira do André Vianco, para termos assunto para conversar! Eu posso muito bem, também, aprender a viver sem o seu carinho. E, provavelmente, vai ser mais fácil do que eu penso, considerando que seu carinho e nada são muito parecidos, na verdade. Mas uma coisa que eu não posso é, de jeito nenhum, ficar sem saber se isso tudo vai valer a pena. Porque só vai valer a pena se você me amar um dia. Você vai me amar um dia?? Diz se você vai me amar um dia!!”
Nesse momento, acredito que ele engoliu alguns palavrões e a vontade explosiva de quebrar alguma coisa na minha cabeça, por eu ter desligado o computador dele – sagrado, não se deve tocar no computador dele, ou qualquer periférico do mesmo. Ao tentar interpretar o silêncio dele, que só me lembrava o quanto ele havia se silenciado nos últimos meses, vi, em seu olhar, vários sentimentos: raiva pelo meu ataque de nervos; medo de minha ousadia ter estragado o computador dele; insegurança, por não saber se o computador dele tinha sido estragado ou não; e um sentimento cujo nome não sei ao certo. Um sentimento de indignação misturada a desespero. Ainda assim, não vi nada ali que mostrasse que ainda houvesse algum sentimento ligado a mim. Positivo, pelo menos, nenhum. Já tinha minha resposta. Mas, como se não fosse suficiente, ele ainda se atreveu a responder, enquanto amassava raivosamente um pedacinho de papel:
“Escuta. Eu não tô com saco. Eu não vou te amar um dia. Agora, me dá licença, que eu ‘tava no meio d’uma raid.”
Minha raiva chegou a tal ponto, que as lágrimas no meu rosto evaporaram. Percebi que aquele monstro, sentado ao computador, era uma desgraça para a “classe” de geeks around the world. Descobri que, no mínimo, eu havia engolido um par de aspas quando o classifiquei assim. Então, engoli o choro, passei a mão no Garfield de pelúcia que sentava em sua prateleira – presente meu –, e disse, já na porta de seu quarto, pronta para tirá-lo da minha vida completamente:
“Cansei. Vou comprar uma boa dose de juízo. Enquanto isso, aconselho que você pense em comprar um coração.”
(inspirada no roteiro de Claudia Ramos)
