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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Samba-poema

Vivo no limiar entre o silêncio e o choro,
onde tudo é pouco,
porque você não está.

Procuro formas de abafar a dor,
que é um grito louco,
porque você não está.

Já não sei mais onde vou chegar.
Não quero andar para frente,
quero rebobinar

P'ra um tempo em que o meu lugar
era ser "a gente"
e o abraçar.

domingo, 7 de março de 2010

Saudade Instantânea - O começo

Ela tinha acabado de se libertar de uma prisão. E não era prisão, no estilo cadeia. Tava mais pra prisão de ventre mesmo. Aquela prisão que você quer sair, você pode, você faz a maior força, mas - minha querida - não tem jeito. Você não tá pronta ainda. Ela esperou. Quando ficou pronta, há, pulou fora como um canguru no cio.

Resolveu se acalmar. Suas carências seriam resolvidas pela companhia de seus amigos, familiares e várias barras de chocolate light. Dedicou-se ao trabalho, à família, amigos e ao corpinho - sabe como é, um relacionamento constipado como estava, só podia fazer engordar. Resolveu ficar sozinha por um tempo, explorar os rapazes da fila (sempre tem fila, né?). No entanto, algumas pessoas especiais foram chegando e ela, ao contrário do que sempre foi, passou a analisar friamente seus pretendentes.

- Não quero perder tempo, Bia. Ao mesmo tempo, não quero fazer nada correndo. Entende?
- Amiga, não. Desde quando você fala a minha língua?
- Bia, te mando "a" ou "para"?
- Não sei. Economizando nas crases?
- Vá à merda. Tá aí a sua crase.
- Eita, o negócio tá feio mesmo. Achei que, se livrando do Bruno, ia conseguir canalizar a raiva pra outras coisas.
- É, pras amigas.
- Ok, me explica de novo. Mas tradução para leigos, ok?
- Sim... Quis dizer... Não estou com pressa de entrar num relacionamento. Justamente por isso, tenho calma de escolher a pessoa certa pra mim. No entanto, não quero perder tempo, no sentido de me deixar envolver com qualquer um pra "testar". Tô com pressa de ser feliz e com calma pra achar a pessoa certa, entende?

Desistiu de se explicar. Era sua amiga, e não sua mãe, não devia satisfações. Continuou se correspondendo com aquele amigo de quem gostava muito. Combinaram de sair. "Pode ser legal. Melhor do que ficar em casa postando textos aleatórios no blog".

Ele era diferente pessoalmente. Parecia mais tímido, sem jeito. Ao mesmo tempo, a mesmíssima pessoa com quem conversava todos os dias, horas e horas a fio, mesmo meses antes de terminar seu namoro. Sempre soube que ele era especial. Só não sabia que pessoalmente bateriam tão bem.

Nana diz:
Engraçado, nesse ponto ele me lembra o Guto.
Bia diz:
Por quê?
Nana diz:
Meio alternativinho, roqueirinho, baixista de banda, talento pra cabeludo... Soh que não tem tatuagens. lol
Bia diz:
Vc precisa parar de falar "lol", Nanah, na boa.
Nana diz:
Mas sério, Bia! Tem noção do quanto esse kra me afetou? Normalmente, escrevo 1 texto por dia! Só hoje, já escrevi 3!!
Bia diz:
Ah, é? Perae!
Bia diz:
Ué, só tem um novo lá no blog.
Nana diz:
Falei 3 pra efeito dramático, amiga! Acompanha, vai??
Bia diz:
Sim sim, claro, nah. E aí, miga? Beija bem?
Nana diz:
Sabe o que me impressionou mais MESMO? Nossa, assim que ele foi embora na manhã seguinte, bateu uma saudade instantânea...

(to be continued)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Se eu fosse colunista, o tema de hoje seria “férias”.

Incrível como as pessoas nunca estão satisfeitas. A gente passa as aulas torcendo para as férias chegarem e, quando chegam, logo enjoamos e sentimos falta da maluquice do período letivo. As matérias novas, os professores novos, os colegas de sempre... Até aquelas pessoas da sala que você absolutamente detesta de repente não parecem ser tão ruins...
Chegam as férias. Todo mundo feliz, planejando uma série de coisas para curtirem as férias ao máximo. Um mês depois, as pessoas começam a largar os planos e marcar churrascos de turma, amigo oculto, etc. Quando voltam as aulas, a felicidade dura uma semana. Logo vêm os deveres de casa, testes surpresa, trabalhos em grupo. É... Difícil ficar satisfeito.
Acho que, num mundo perfeito, felicidade seria não ter que acordar cedo e ir “sonambulando” para a aula, seria os finais de semana terem 3 dias, em vez de dois... Seria os deveres de casa parecerem mais divertidos e os trabalhos em grupo não serem tão estressantes... E os testes surpresa nunca valerem nota. O mundo perfeito seria aquele em que reprovação por falta não existiria, os professores seriam sempre legais e as provas seriam sempre de múltipla-escolha. Que mundinho impossível, não? Acho que é por isso que existem as férias... Para a gente ter tempo de sentir falta desse mundinho imperfeito em que vivemos. E o pior é que dá certo!