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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Abraço de Urso

Queria entender o que em mim atrai os homens mais velhos. Acredito que seja meu jeito falso de ser inocente. Não que isto importasse agora. A atração que sentíamos nos trouxe até aqui, tão próximos um do outro.

Pude sentir sua respiração em minha boca, enquanto suas mãos quentes de desejo e confusão me seguravam pela cintura. Meu corpo arqueava, se aproximando e distanciando dele, enquanto minha mente e meu âmago guerreavam entre a hesitação e a entrega.

“Preciso provar você.”
“E eu preciso ser provada...” – confessei, entre suspiros no meio de um longo e desesperado beijo.

Cambaleamos em direção ao quarto, deixando as roupas pelo caminho enquanto subíamos as escadas. Os corrimãos de ferro se assustavam com o calor de nossas mãos e nós nos assustávamos com as conseqüências do que estava prestes a acontecer.

Minha nuca derretia em seus lábios, enquanto meus sentidos se aguçavam. Suas mãos me desbravavam vagarosamente, com a confiança bruta que apenas um homem consegue conquistar. Meus dedos seguravam seus cabelos como a uma bóia em mar aberto, enquanto minha nudez expunha todas as minhas verdades, que em alguns minutos ele viria a conhecer.

Todos os sonhos quentes que já havíamos tido um com o outro se concretizaram naquela noite. Largados na cama em seu duplex, sentíamos a brisa de Copacabana adentrar o quarto, revitalizando a energia daquele lugar como ele revitalizara meu corpo.

Depois de uma troca de olhares, meu coração apertou. Todos os meus esforços foram em vão, a partir do momento em que me entreguei ao desejo. E agora estava eu, afundando na derrota do gostar, abrigada em seu delicioso e interminável abraço de urso que, como uma fita vermelha, era o toque final naquele perfeito presente que jamais vai ser meu.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Samba-poema

Vivo no limiar entre o silêncio e o choro,
onde tudo é pouco,
porque você não está.

Procuro formas de abafar a dor,
que é um grito louco,
porque você não está.

Já não sei mais onde vou chegar.
Não quero andar para frente,
quero rebobinar

P'ra um tempo em que o meu lugar
era ser "a gente"
e o abraçar.