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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Invincible


The phone kept ringing. It had been ringing all day now. I was getting sick of it, really. Actually, I had gotten sick of it a very long time ago, but it never occured to me to do something about it. Until it hit me - bills to pay, banks calling to collect,... If only life was like a movie and I could just rob a bank and then drive away, fast.

I was waiting for my sugar to come back from his classes. He was in college, studying computers or some shit like that. I never really understood what it is he studied, but I knew it was complicated. He pulled his car up in my driveway. That purple eggplant crazy car of his was more noisy than a pregnant lady giving birth - it was histerical. He seemed to like it. Paid a lot of money to have it roaring like that. Apparently, noise was his thing - he also loved shrieking the tires on the pavement.

I got to telling him about my daydreaming. I guess I didn't know'm that well - he pulled a gun from a compartment in the car door and said "I know enough about computers to hack a bank for you. But just in case, we better be packin' some heat".

I didn't know what to do. I was so over feeling invincible like we do in our teenage years. But somehow it made me feel alive. What the hell... I had bills to pay and I wasn't gettin' any richer sittin' at home complaining to God about my debts. Alright, let's do this.

The magic happened pretty smoothly. We went in the bank and he approached a friend of his who owed him some money. The guy walked away to get the cash and he sat on the computer and worked his web charms. Told me to wait there for someone to bring me a bag of money, while he was starting the car outside.

A minute later, the guy wasn't back yet and this lady came to me with this big bag, so full of whatever that it seemed that little bags would burst outta there any second, and said:
- Are you Miss Anna Sophia?
- Well... I must be.
- Then this bag's got your name on it. Here's the withdrawal you requested. Gave us a lil' hard work, considering it was all in cash. But if the bank can't pull it off, who can, right? - and smiled happily. As did I.
- Yes, yes, you sure can! I'm much obliged. I'll be seeing you around, good day to you, ma'am.
- Good day, Miss Anna Sophia. What a nice pretty lady... - she walked away dazzled by my charms. Never thought I'd make a good thief. Anyway, my eggplant getaway car was waitin' outside.

I got in. Forgot about the seatbelt. I mean, we had just broken a few laws there, forgetting 'bout the seatbelt was the least of my worries. The tires shrieked as the car jumped into movement and I was free. Rock music came on the radio and, as we turned the corner on our way to God knows where, I stuck my head outta the car door and the wind blew my hair in my face while I tried - and failed - to see if anyone was coming after our sorry asses. Guess not.

You know what? I guess I'm not that over feelin' invincible. As a matter of fact, I could get used to this feeling pretty damn fast.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Conto: O outro lado do desespero

Você me vê. Aparentemente, sou uma pessoa feliz. Tenho amigos, uma família bem estruturada, dinheiro, uma carreira e sucesso. Estou sempre atarefada, seja com trabalho, com diversão ou com minhas "obrigações particulares". Sou um ombro para meus amigos, um escudo para minha família e, para mim, sou apenas eu.

Você me vê. Sempre em movimento. O que você não vê é que, se eu parar de dançar, desmorono. Toda esse revestimento de confiança, de força, esconde, na verdade, uma menina frágil, insegura, que busca apenas ser amada.

Um dia, resolvi parar de dançar. Como previa, desabei. Desabei dentro de um poço tão fundo que poderia cair eternamente em direção ao fundo.

Nesse momento, não fui ombro para ninguém. Meus dois ombros não dariam conta de consolar a mim mesma, quanto menos outros... Falhei como amiga, como filha, como ser humano. Embrenhada em minha própria dor, contemplei possibilidades inaceitáveis para qualquer outra pessoa. Pensei em me juntar às minhas amigas e seus problemas e fundar um clubinho das Suicide Sisters... Pensei em pegar o carro e minha gata e fugir para outra cidade qualquer onde eu fosse parar... Também pensei em virar assassina profissional e viver o resto da vida sem sentimentos. Nada disso adiantou.

Uma vez, um amigo muito sábio disse que, se dermos as costas para o não, nos encontraremos no caminho para o sim. E a verdade é que dar as costas para o sentimento é dar as costas para a vida.

Viemos a este mundo para sentir. E a lição que aprendi nessa minha experiência - "quase morte", me atrevo a dizer - é que a dor nos define. Foi na dor que descobri quem sou. Minhas qualidades, meus defeitos, minhas burrices. Não podemos nos proteger da dor a ponto de nunca sentirmos nada. É no auge da dor e do sofrimento - quando o coração bate tão forte que sentimos no peito - que lembro que estou viva. E só então ressurjo do poço, como a fênix das cinzas, e, mais do que a "volta por cima", dou as costas para o desespero e, quem diria, me encontro no caminho para a felicidade.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Conto: Pacha não.

- Gente, as bisnaguinhas estão acabando.
- Alguém me passa a manteiga?
- Hoje vamos a Geribá? A Tatiza ainda não conhece...
- Deus defenda!
- Nãão, vamos pra night! Privi ou Pacha?
- PACHA NÃÃÃÃÃO!
- Vamos brincar de stop com o alfabeto inteiro?
- Gente, e o almoço?
- Deus queira, escorredor!
- Gildaaa, me ajuda aqui com essa cadeira? Quero colocar lá fora!
- Não faça isso, amygue, está um frio horrendo!
- Então vamos para a sauna hidratar o cabelo?
- É, pode ser uma boa, meu cabelo quer pegar alguém hoje.
- Na Privi ou na Pacha?
- PACHA NÃÃÃÃÃO!, gritam as quatro.

E começam a juntar os cosméticos na mesa da sala, para se maquiarem juntas. Passaram o dia inteiro conversando e ouvindo uma seleção inigualável de músicas, de todos os estilos, guardadas a sete chaves no iPod de uma delas. Enquanto isso, a cachorrinha choraminga no quarto, porque também quer participar da festa - afinal, quem não quereria passar tempo com essas quatro? Meninas alegres - até quando estão tristes -, amigas, divertidas e cada vez mais inseparáveis, conforme o feriado passa.

Existe uma coisa chamada empatia. O que essas quatro têm ultrapassa os limites desse sentimento. Deram-se bem de cara, se aturaram sem maiores dificuldades durante 4 dias debaixo do mesmo teto e, assim que cruzaram a fronteira de Búzios em direção ao Rio de Janeiro, começaram a sentir saudades uma da outra, mesmo estando ainda dentro do mesmo carro, ouvindo as mesmas músicas, falando das mesmas coisas, agora no passado. E, claro, sonhando com a próxima viagem, com o próximo café com bisnaguinhas, com a próxima viagem no carro apertado de uma delas... Com a próxima night juntas - na Pacha não.

inspirado na minha viagem este feriado com minhas 3 mais novas amigas. Deus defenda! (LOL)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Kama

Não acredito que estou aqui. De todos os lugares em que já fui parar na vida, este definitivamente é o mais improvável. Não quero sair daqui nunca mais na minha vida, quero me alimentar de ar, luz, cobertor... E nunca mais sair desta cama.

Deitado ao meu lado, sinto sua respiração na minha nuca. Sua mão direita repousa suavemente em minha cintura, me fazendo sentir segura, protegida, entregue. Não que isso seja ruim, mas não é necessariamente bom. Entregue, estou aberta, vulnerável, como uma presa esperando pacientemente pelo bote.

O telefone toca, é um cliente. Ele precisa atender. Sua mão se afasta do meu corpo, que lamenta a cada milímetro que a distância aumenta. Sei que é questão de segundos mas, para mim, são séculos. Pronto, voltou.

Ele encosta em meu corpo e faíscas saem de mim. É tão explícito que coro. Impossível esconder o quanto eu sou dele. Boba, me deixei cair em seu jogo de sedução. Jogo que nem ele percebeu que estava jogando.

Há poucas pessoas no mundo que nos fazem sentir como bombas atômicas prontas para explodir a qualquer momento. Como se todas as nossas terminações nervosas estivessem simplesmente aguardando o toque dessa pessoa, dessa única e rara pessoa, para nos liberar o prazer mais puro e profundo que existe.

Olhou nos meus olhos. Não sei o que é essa relação louca que temos, mas pouco importa. Deitado à minha frente, me puxou para perto. Emoldurou meu rosto com suas mãos e me beijou com tanto desejo que me senti febril. Precisei respirar. Empurrei-o para longe, com as mãos abertas em seu peito nu. Cada toque me fazia mais apaixonada por isso tudo. Suspirei.

Meus dedos deslizavam livremente pelos fios dourados de seu cabelo. Desciam pelo seu corpo, tocando cada sarda, cada tatuagem, cada pêlo. Ele era um tesouro, uma preciosidade que o mundo estava dividindo comigo, por enquanto.

Chegou a hora de ir para casa. Não me questione, faço o que faço por motivos muito nobres. Sou uma junkie por sentimentos. Acho que viemos ao mundo para isso: para sentirmos, vivermos intensamente, para sofrermos e rirmos intensamente. Da mesma forma que quero ser possuída por ele intensamente. De novo.

Quem ousa criticar os sentimentais, ou intensos? Do que seria a vida senão de emoções e sorrisos? As lembranças mais fortes não são aquelas que nos fizeram sorrir, ou chorar? Não são dessas lembranças que queremos mais, ou esquecer? É por isso que eu faço de todo momento uma lembrança em potencial. E dessa relação, faço um Soneto de Fidelidade*: "que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure".

** Kama significa "gozo dos sentidos" ou, simplesmente, "desejo". Leia mais sobre isso aqui e aqui.

Sugestão de trilha:

domingo, 9 de maio de 2010

Preparações

Não me julgue... Considero minha vaidade parte do meu amor próprio. Se quero me maquiar para ir ao Hospital, me deixe.

Acho que é minha própria culpa precisar dessa cirurgia. Claro, tudo na vida é nossa própria culpa. As coisas boas e as ruins. Carmas que voltam para nos assombrar ou abençoar. Tudo resultado do que já fizemos a nós mesmos ou a outras pessoas.

Fico pensando o que eu possa ter feito de ruim para ter chegado a esse ponto. Olho o relógio. Não tenho tempo para pensar nessas coisas. Não são remédio para minha doença. O próximo passo é botar uma roupa, antes que minha carona para o Hospital chegue.

O espelho grita comigo: "Vai mesmo castigar os médicos com essas olheiras?? Com este cabelo desgrenhado?" É, vergonha na cara eu não tenho mesmo, deveria pelo menos ter um pouco de maquiagem na pele... Enquanto passo minha base, rezo para Jesus, pra Maria, pra Buddha, pra Chama Violeta... Percebo que hoje é sábado. Dia da Chama Violeta, a chama da Transformação. Se alguém pode me transformar, e hoje - out of all days of the week -, é a Chama Violeta. Sem contar que, no meu carro sujo, ontem escreveram "Jesus me sarou", diferente dos piches comuns de "Mamãe, me lave". Outro sinal... Tudo bem, calma.

Maquiagem feita, interfone berrando. Minha carona chegou. Jogo uns grampos na franja, a prendendo para trás, num rabo de cavalo baixo. Não que esse detalhe vá enriquecer essa história, mas deve ter algum significado. Tudo sempre tem. Dou um beijo na minha cachorra, peço que reze por mim. "Que bobagem, cachorros não rezam".

O elevador parece vir em procissão até mim, de tão devagar que sobe. O preço que se paga por morar na cobertura. Experimente subir de escada em dia de apagão. É assim que mantenho minhas coxas grossas e avantajadas como são. Meu único orgulho (um dos).

Entrando no carro, pareço estar entrando em meu próprio caixão. Ao chegar no Hospital, coloco meu tercinho rosa entre o mindinho e o anelar da mão direita. Nem sei se Deus ainda vai me ouvir hoje em dia, misturando religiões como ando misturando. Se Deus é um só, não entendo como há tantas religiões por aí... Coisa mais esquizofrênica.

Deitada na maca, estou sendo empurrada para o Centro Cirúrgico. Vestindo aqueles roupões infames de Hospital, que insistem em mostrar sua bunda para todo mundo... detestando isso tudo. Já não basta ter sido infectada com esse passado imundo, agora ter que ser cortada para me livrar dele... E ainda deitada seminua nessa maca gelada.

Olho para o teto, vejo as luzes passando como num episódio de House ou E.R. Gostaria de ter minha câmera agora, para registrar o caminho que percorri para o calvário.

- Você vai ser meu anjo?
- Sim, Bruno, o seu anestesista.
- Oi, Bruno, vamos lá, me deixe grogue de uma vez. Chega de lerolero, não quero estar consciente pelos próximos 3 dias.
- Não acho que será necessário esse tempo todo...
- Eu lhe garanto que sim. Mas faça como achar melhor, você é o profissional, estou lhe pagando para não fazer o que eu acho correto.

Começou a injetar drogas nas minhas veias. Fiz o sinal de paz e amor enquanto me afogava lentamente em dúvidas, inseguranças, piadinhas internas e memórias do passado que eu, ali, tentava esquecer. E depois, era breu.

Acordei me sentindo mais leve. Como se a cruz que no princípio eu carregava nas costas e, depois, no ventre, tivesse sido cirurgicamente removida de dentro de mim. Alívio, livre, viva.

Percebi que tudo na vida são preparações. Primeiro, nos preparamos para andar, para falar. Depois, estudamos como preparação para uma vida profissional. Namoramos para noivar, para casar. Maquiei-me para me operar. Operei-me para viver. Melhor, maior, mais feliz.
E você? Qual a sua preparação?

domingo, 7 de março de 2010

Saudade Instantânea - O começo

Ela tinha acabado de se libertar de uma prisão. E não era prisão, no estilo cadeia. Tava mais pra prisão de ventre mesmo. Aquela prisão que você quer sair, você pode, você faz a maior força, mas - minha querida - não tem jeito. Você não tá pronta ainda. Ela esperou. Quando ficou pronta, há, pulou fora como um canguru no cio.

Resolveu se acalmar. Suas carências seriam resolvidas pela companhia de seus amigos, familiares e várias barras de chocolate light. Dedicou-se ao trabalho, à família, amigos e ao corpinho - sabe como é, um relacionamento constipado como estava, só podia fazer engordar. Resolveu ficar sozinha por um tempo, explorar os rapazes da fila (sempre tem fila, né?). No entanto, algumas pessoas especiais foram chegando e ela, ao contrário do que sempre foi, passou a analisar friamente seus pretendentes.

- Não quero perder tempo, Bia. Ao mesmo tempo, não quero fazer nada correndo. Entende?
- Amiga, não. Desde quando você fala a minha língua?
- Bia, te mando "a" ou "para"?
- Não sei. Economizando nas crases?
- Vá à merda. Tá aí a sua crase.
- Eita, o negócio tá feio mesmo. Achei que, se livrando do Bruno, ia conseguir canalizar a raiva pra outras coisas.
- É, pras amigas.
- Ok, me explica de novo. Mas tradução para leigos, ok?
- Sim... Quis dizer... Não estou com pressa de entrar num relacionamento. Justamente por isso, tenho calma de escolher a pessoa certa pra mim. No entanto, não quero perder tempo, no sentido de me deixar envolver com qualquer um pra "testar". Tô com pressa de ser feliz e com calma pra achar a pessoa certa, entende?

Desistiu de se explicar. Era sua amiga, e não sua mãe, não devia satisfações. Continuou se correspondendo com aquele amigo de quem gostava muito. Combinaram de sair. "Pode ser legal. Melhor do que ficar em casa postando textos aleatórios no blog".

Ele era diferente pessoalmente. Parecia mais tímido, sem jeito. Ao mesmo tempo, a mesmíssima pessoa com quem conversava todos os dias, horas e horas a fio, mesmo meses antes de terminar seu namoro. Sempre soube que ele era especial. Só não sabia que pessoalmente bateriam tão bem.

Nana diz:
Engraçado, nesse ponto ele me lembra o Guto.
Bia diz:
Por quê?
Nana diz:
Meio alternativinho, roqueirinho, baixista de banda, talento pra cabeludo... Soh que não tem tatuagens. lol
Bia diz:
Vc precisa parar de falar "lol", Nanah, na boa.
Nana diz:
Mas sério, Bia! Tem noção do quanto esse kra me afetou? Normalmente, escrevo 1 texto por dia! Só hoje, já escrevi 3!!
Bia diz:
Ah, é? Perae!
Bia diz:
Ué, só tem um novo lá no blog.
Nana diz:
Falei 3 pra efeito dramático, amiga! Acompanha, vai??
Bia diz:
Sim sim, claro, nah. E aí, miga? Beija bem?
Nana diz:
Sabe o que me impressionou mais MESMO? Nossa, assim que ele foi embora na manhã seguinte, bateu uma saudade instantânea...

(to be continued)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Garota e o Geek 2 – a conversa que nunca foi tida e as aspas descobertas

Para tudo tem um limite, sabe? “Antes tarde do que nunca”, dizem todas as avós, certo? Pois o meu estoque de juízo estava perigosamente baixo. Já era hora de eu me dar conta do que faltava saber para que eu tomasse a decisão certa.

Entrei no apartamento dele, ignorei a presença de sua mãe à porta, marchei para dentro de seu quarto e arranquei o fio que ligava o computador à tomada. Seu monitor, no qual se podia ver seu joguinho estúpido rolando, se desligou imediatamente. Antes mesmo que o energúmeno conseguisse reagir e tirar seus fones de ouvido gigantescos da cabeça, gritei com toda a minha força, aos soluços, para ver se, ao contrário das outras milhares de vezes, o menino me escutava.

“ARGH, chega!!! Você escolhe! Eu posso muito bem deixar você continuar engordando, plantado nessa poltrona, imerso nos seus joguinhos, e gastar a minha vida esperando finalmente que você cresça! Posso muito bem gastar as minhas horas, a minha juventude e a minha auto-estima, que a essas alturas eu já nem sei se existe mais! Posso aprender a ser boa nos outros jogos que te interessam, já que me interessar pelo preferido não foi suficiente! Ou ler uma coleção inteira do André Vianco, para termos assunto para conversar! Eu posso muito bem, também, aprender a viver sem o seu carinho. E, provavelmente, vai ser mais fácil do que eu penso, considerando que seu carinho e nada são muito parecidos, na verdade. Mas uma coisa que eu não posso é, de jeito nenhum, ficar sem saber se isso tudo vai valer a pena. Porque só vai valer a pena se você me amar um dia. Você vai me amar um dia?? Diz se você vai me amar um dia!!”

Nesse momento, acredito que ele engoliu alguns palavrões e a vontade explosiva de quebrar alguma coisa na minha cabeça, por eu ter desligado o computador dele – sagrado, não se deve tocar no computador dele, ou qualquer periférico do mesmo. Ao tentar interpretar o silêncio dele, que só me lembrava o quanto ele havia se silenciado nos últimos meses, vi, em seu olhar, vários sentimentos: raiva pelo meu ataque de nervos; medo de minha ousadia ter estragado o computador dele; insegurança, por não saber se o computador dele tinha sido estragado ou não; e um sentimento cujo nome não sei ao certo. Um sentimento de indignação misturada a desespero. Ainda assim, não vi nada ali que mostrasse que ainda houvesse algum sentimento ligado a mim. Positivo, pelo menos, nenhum. Já tinha minha resposta. Mas, como se não fosse suficiente, ele ainda se atreveu a responder, enquanto amassava raivosamente um pedacinho de papel:

“Escuta. Eu não tô com saco. Eu não vou te amar um dia. Agora, me dá licença, que eu ‘tava no meio d’uma raid.”

Minha raiva chegou a tal ponto, que as lágrimas no meu rosto evaporaram. Percebi que aquele monstro, sentado ao computador, era uma desgraça para a “classe” de geeks around the world. Descobri que, no mínimo, eu havia engolido um par de aspas quando o classifiquei assim. Então, engoli o choro, passei a mão no Garfield de pelúcia que sentava em sua prateleira – presente meu –, e disse, já na porta de seu quarto, pronta para tirá-lo da minha vida completamente:

“Cansei. Vou comprar uma boa dose de juízo. Enquanto isso, aconselho que você pense em comprar um coração.”

(inspirada no roteiro de Claudia Ramos)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A Garota e o Geek

Sábado à noite, 01:45AM e acabo de entrar em casa. Hoje, pela primeira vez, fui ao cinema sozinha. No mínimo, vocês devem estar pensando o que tem de errado comigo para eu ir ao cinema sozinha. Afinal, sou uma menina de 20 anos, bem bonita até e, em hipótese alguma, ir ao cinema sozinha seria uma opção aceitável para um sábado à noite, certo? Se eu estivesse solteira, era para eu estar numa boate tentando mudar a situação. E em um namoro normal, era para eu estar com meu namorado, fazendo algum programinha casal. Mas meu namorado não é normal. Meu namorado é um geek.

Um sábado feliz, pro meu namorado, é aquele em que ele acorda tarde, almoça quase na hora de jantar, liga o computador e se concentra no PvP. PvP, para quem não sabe, é quando uma legião de geeks, separados em dois times, caem na porrada – virtual, é claro. Já um cara normal pensaria em incluir aí, em algum lugar, levar a namorada para passear, e claro, sexo. Meu namorado? Bem, eu poderia me vestir de líder de torcida, de estudante safada, de enfermeira tarada, e ainda assim a resposta seria a mesma: “Peraê, amor, tô quase acabando aqui. O Warlock deu ultimate e agora meu healer tem que curar geral, sabe como é, se eu sair daqui, todo mundo morre”. E sabe o que é pior? O jogo é pago; eu não cobro...

Conheci meu namorado na faculdade. Ele era um dos meninos populares, zoava todo mundo e implicava muito comigo. Feito maternal, sabe, quando o menino puxa a trança da menina de quem gosta. Ele ficou ao meu lado quando passei por um término difícil e acabei me apaixonando por ele em seguida, sem saber como seria difícil namorar um geek...

Você pensa, “bem, geeks são caras necessitados, em sua maioria virgens, que adorariam ter uma namorada gostosa”. E eu digo “não”. Geeks existem em todas as idades, virgens ou não, e têm personalidades variadas. O meu geek consegue ser o mais complicado de todos, ele leva a coisa a sério. Volta do trabalho sempre muito cansado, querendo ir pra casa, com preguiça de me ver. Mas ainda assim consegue ficar acordado jogando até às 5AM naquele maldito computador. Gasta rios de dinheiro pagando pelas mensalidades dos jogos, mais os upgrades e os acessórios e etc... E se compra uma rosa para mim por ano já é muito. Jantares românticos? Nunca. Cartões fofinhos? Só em datas comemorativas.

E para excitar meu namorado? Só usando linguagem geek. “Amor, que tal acordar seu mago para ele me curar todinha, hein?” Depois de umas provocações, “WoW, ta sentindo a mana, ta?, meu guerreiro poderoso!”. Se nada disso der certo, você pode sempre desistir do sexo e partir pra um “Dotinha”...

Como um menino como ele prende uma menina como eu? Quando ele não está jogando, juro, ele é um namorado normal, carinhoso, engraçado, divertido e especial. Em certos momentos, eu sinceramente chego a pensar que eu devo ser maluca em ter um namorado que só consegue ser bom quando a rede ‘tá down... Mas aí eu me lembro como o Bill Gates era geek aos 20 anos, como o Steve Jobs era geek aos 20 anos... E daí penso, “bem, que mal tem esperar mais uns anos?”